Antes de tomar a decisão de investir, é preciso entender quais tipos de investimentos podem ser mais adequados ao seu perfil. Da mesma forma, quem trabalha com produtos financeiros deve procurar se aprofundar no conhecimentos dos ativos para sugerir as melhores opções para cada perfil de investidor. Você conhece os diferentes títulos de renda fixa e como eles podem potencializar os ganhos na gestão de investimentos?

Conversamos com o professor de finanças e coordenador de cursos do LABFIN.PROVAR – FIA, Marcos Piellusch, para esclarecer os principais pontos relacionados a esse fundo de investimento tão comentado dentro e fora do mercado financeiro.

Esperamos que este conteúdo ajude você a gerir melhor sua própria carteira de investimentos ou a de seus clientes agora ou no futuro próximo. Boa leitura!

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Por que os títulos de renda fixa são associados a um perfil de investidor mais conservador?

Qualquer investimento envolve a aplicação hoje para obter resultados no futuro. Esses resultados podem depender de diversos eventos, como taxas de juros, inflação e o próprio resultado das empresas. Alguns são mais previsíveis e outros menos.

Os títulos de renda fixa, como o próprio nome diz, têm esses resultados futuros dependentes de eventos mais previsíveis, como taxas de juros e inflação. Por esse motivo, geralmente são associados a um perfil mais conservador, ou a necessidades voltadas ao curto prazo.

Mas isso não quer dizer que não tenha riscos, pois os rendimentos podem vir de juros, correção pela inflação e também pela oscilação de preço. Além disso, muitos desses títulos têm prazo específico para resgate, não podendo ser sacados a qualquer momento. Porém, o risco é menor que os investimentos chamados de renda variável, cujo resultado depende, por exemplo, do lucro das empresas.

 

Entre os diferentes tipos de títulos de renda fixa públicos e privados, quais você destacaria para quem está começando a investir ou está iniciando uma trajetória profissional na operação desses papéis?

Para quem está começando, os melhores são os que têm menor risco, ou seja, os títulos públicos federais. Entre eles, os títulos com rentabilidade associada à Selic, chamados de Tesouro Selic, são os menos arriscados. Isso porque não há risco de desvalorização, ou seja, o valor investido é corrigido pela Selic atual como se fosse uma conta remunerada.

Os títulos emitidos pelos bancos chamados de Letras de Crédito Imobiliário (LCI) também são uma boa opção, desde que seja escolhida uma instituição financeira mais segura. Na mesma linha, os CDBs são uma boa opção, considerando que esses têm rendimento tributado pelo IR, enquanto as LCIs têm rendimentos isentos de IR.


Quais as principais características dos títulos de renda fixa as quais alguém que não esteja tão familiarizado com esse tipo de investimento deve observar, seja como investidor, seja como operador desses produtos financeiros?

Considerando os títulos públicos federais, há três tipos: os pós-fixados, os pré-fixados e os corrigidos pela inflação. Os pós-fixados, como o Tesouro Selic, não têm oscilação de preço e têm menor risco, podendo ser usados como reserva de emergência. Já os pré-fixados e os corrigidos pela inflação podem ter oscilação de preço e, por isso, se destinam a objetivos de maior prazo.

Os pré-fixados geralmente têm prazo médio (atualmente até 11 anos) e uma taxa fixa de rendimento. Isso significa que o investidor já sabe quanto vai receber no final do período. Porém, é importante lembrar que o rendimento é nominal, ou seja, inclui a inflação. Nesse caso, se a inflação superar esse rendimento prefixado, o investidor pode ter um rendimento que não compensou a inflação, ou seja, não houve perda, mas também não houve ganho em relação ao poder de compra. Além disso, esse rendimento fixo será concretizado se o investidor mantiver o título até o vencimento. Caso contrário, poderá haver até perda parcial do valor investido devido à oscilação de preço.

Os títulos indexados pela inflação proporcionam uma taxa de juros prefixada adicionada da inflação e têm prazo mais longo (até 35 anos). Esses títulos também oscilam de preço, então o rendimento e a proteção contra a inflação (ganho real) estão garantidos se o investidor mantiver o título até o vencimento. Esses papéis são recomendados, por exemplo, para uma reserva previdenciária.

Os títulos privados são emitidos por bancos, financeiras e também empresas. Além das conhecidas LCIs, LCAs e CDBs, há as debêntures, emitidas por empresas. Para quem quer obter uma rentabilidade um pouco maior em renda fixa, podem ser boas opções.

 

Por que, no Brasil, de modo geral, os títulos públicos são considerados mais seguros?

Os títulos públicos são mais seguros por serem emitidos pelo Tesouro. Assim, o risco de não receber o valor no vencimento é muito pequeno.

Para alguns títulos privados emitidos por bancos, como CDBs, LCIs, LCAs, além da própria caderneta de poupança, há o risco de quebra da instituição financeira, que é muito maior que o de quebra do Tesouro Nacional. Para cobrir parcialmente o risco das instituições financeiras, no Brasil existe o FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que restitui ao investidor que tiver investimentos em uma instituição que falir, por exemplo, o valor investido. Nesse caso, é importante observar o limite de R$ 250 mil por CPF.

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