Não é preciso acompanhar o noticiário mais especializado em economia para ouvir, com frequência, o termo “taxa Selic”. Mais do que simplesmente nos impactar pela sua divulgação constante nos meios de comunicação, a taxa Selic afeta diretamente a vida financeira de qualquer pessoa. Mas, afinal, você sabe por que ela é tão importante?
Se não sabe ou quer entender um pouco mais sobre o assunto, convidamos você a nos acompanhar neste artigo. Nele, vamos comentar alguns pontos-chave para um primeiro entendimento da taxa Selic, com a ajuda do professor e coordenador de cursos do LABFIN.PROVAR – FIA Marco Couto.
O que é a taxa Selic?
De modo geral, quando se fala de taxa Selic, estamos nos referindo à taxa básica ou referencial de juros da economia brasileira.
Ou seja, é ela quem determina todas as taxas de juros praticadas pelos bancos e instituições financeiras do país, seja quando captam dinheiro do público ou quando aplicam recursos por meio de empréstimos a empresas e pessoas.
“A taxa Selic, em essência, é a taxa pela qual o governo federal remunera os detentores de seus títulos de dívida. Como esses títulos, em tese, são considerados sem risco, os bancos, ao emprestarem recursos ao público, sempre o farão a taxas de juros superiores à Selic. E quando captam recursos do público na forma de cadernetas de poupança, CDBs, etc., remuneram a taxas inferiores à Selic”, explica o Profº Marco Couto.
Quem define a taxa Selic?
O valor da taxa Selic é definido periodicamente nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
A cada 45 dias, os membros do Copom se reúnem para definir o aumento, a queda ou a manutenção do valor da Selic, cujo papel é regular a atividade econômica brasileira.
“O movimento de aumentar ou reduzir a Selic se dá em função de alguns fatores: (1) taxa de inflação; (2) necessidade de captação de recursos para complementar o orçamento do governo; (3) em menor grau, regular o ingresso de moeda estrangeira”, comenta o professor.
A escolha pela redução ou elevação da Selic nas reuniões periódicas do Copom interfere diretamente na forma como a atividade econômica vai se desenvolver nas semanas seguintes à definição do valor.
Como veremos nos dois tópicos abaixo, o movimento que o Banco Central faz no sentido de elevar ou reduzir a taxa Selic pode tanto inibir quanto estimular a economia brasileira.
Quais os efeitos da elevação da Selic?
Num primeiro cenário, ao aumentar a Selic, o Copom tem como objetivo inibir a atividade econômica.
Isso porque, devido à elevação da Selic, segue-se um aumento, por parte dos bancos, das taxas de empréstimos e de captação de recursos.
“O efeito sobre a atividade econômica se faz sentir através da redução dos investimentos e das compras de bens de consumo a prazo. Isto acontece porque, de fato, com o aumento das taxas de juros, haverá uma redução do crédito para empresas e pessoas e um maior afluxo de dinheiro para as poupanças”, explica Couto.
E como somos afetados pela redução da taxa Selic?
Num segundo cenário, quando há a queda da taxa Selic, o intuito é estimular e aquecer a economia.
Portanto, o efeito da redução da Selic é diametralmente oposto ao do aumento: as taxas de juros praticadas pelos bancos diminuem e, consequentemente, o consumo e a economia se aceleram.
Assim, a taxa de inflação é afetada positivamente quando há uma redução da Selic. Já no caso de elevação da taxa, o efeito sobre a inflação é negativo.
Queda da taxa Selic e pandemia de COVID-19
Em 17 de junho de 2020, o Copom reajustou a taxa Selic de 3% para 2,25%, o menor percentual da série histórica do Banco Central iniciada em 1986.
Como vimos acima, a queda da Selic indica que o governo deseja acelerar a economia e incentivar o consumo.
Tal reajuste da taxa acontece como resposta ao contexto de crise sanitária e econômica provocado pela pandemia de COVID-19.
Porém, a taxa Selic, isoladamente, daria conta de produzir o incremento necessário para a aceleração da economia num cenário de alta complexidade e sem precedentes na história recente mundial?
“No atual cenário há fatores que inibem a confiança de investidores e consumidores, além da própria natureza da pandemia, que impede o funcionamento de certas atividades econômicas. Então, a Selic por si só não é suficiente como estímulo. Outras medidas são necessárias, como as que o governo, de certa forma, tem já feito: por exemplo, injeção direta de recursos em determinados setores produtivos”, reflete o professor Marco Couto.
***
Se você é da área de finanças ou conhece alguém que precisa aperfeiçoar conhecimentos na área, aproveite a visita ao nosso blog para conferir os cursos MBA e pós-graduação em finanças do LABFIN.PROVAR – FIA




