Mesmo antes da crise de COVID-19, profissionais de todas as áreas de atuação vinham vivenciando novos formatos de trabalho e profundas mudanças em suas rotinas e nas exigências tanto técnicas quanto comportamentais a eles requeridas.
Se, há pouco tempo, um elevado domínio técnico por si só determinava nosso sucesso profissional, no presente e no futuro as competências emocionais — as soft skills — ocupam também espaço central na lista de habilidades desejadas, inclusive para as figuras de liderança — ainda mais num contexto de crise e acúmulo de incertezas.
“Se antes existia certo preconceito em relação à importância da humanização da liderança, considerada muitas vezes “uma abstração”, hoje a capacidade de conduzir relacionamentos empáticos é uma vantagem para influenciar a equipe”, afirma Fátima Jinnyat.
Formada em Administração de Empresas pelo Mackenzie e pós-graduada em Tecnologia da Educação pela FAAP, Fátima é professora em cursos de pós-graduação em diversas instituições, incluindo a FIA. No próximo dia 12 de maio ela participa do webinar O papel da liderança em tempos de crise, do LABFIN.PROVAR, ao lado de Beatriz Garcia (clique aqui para conferir a entrevista com Beatriz).
Abaixo, ela reflete, entre outros assuntos, sobre a importância do estímulo à criatividade e a capacidade de “fazer perguntas, em vez de acreditar ter todas as respostas” como características fundamentais de um bom líder em tempos de crise ou não.
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Administrar as instabilidades da vida é uma tarefa comum a todos nós, tanto num contexto profissional quanto na esfera pessoal. Porém, no mundo do trabalho, é comum se esperar de um líder a capacidade de apontar caminhos claros e assertivos. Num cenário tão imprevisível como o de agora, de que maneira os líderes podem se reinventar para que não percam a si mesmos?
Um ponto importante, creio, é rever o próprio sistema de crenças frente ao contexto de profunda incerteza — o que vale manter e o que é preciso mudar? Investir em um sincero e profundo exercício de autoanálise, diferente de autocrítica. Não se trata de corrigir os próprios erros, mas ajustar a bússola, rever hábitos e atitudes que deixaram de fazer sentido no novo cenário.
Muitos de nós estamos trabalhando de casa nestes tempos de pandemia. O papel da liderança, assim, ganha ainda mais esse componente desafiador, uma vez que o home office é uma novidade para muitas empresas e profissionais e a adaptação a esse formato teve que se dar de modo muito brusco. Como você avalia que a liderança pode colaborar, mesmo a distância, para que sua equipe se mantenha produtiva, engajada e, ao mesmo tempo, saudável física e emocionalmente em tempos tão incertos?
David Rock, neurocientista especializado em comportamentos de liderança, reflete sobre a necessidade dos líderes entenderem que o afastamento físico não implica em distanciamento social. Se antes existia certo preconceito em relação à importância da humanização da liderança, considerada muitas vezes “uma abstração”, hoje a capacidade de conduzir relacionamentos empáticos é uma vantagem para influenciar a equipe.
Em um momento de crise tão sem precedentes em nossa história recente, as incertezas do presente e do futuro assustam a todos, mas também podem abrir possibilidades de atuação que até então não conseguíamos vislumbrar. De que modo a liderança pode ajudar seus colaboradores a desenvolverem resiliência diante das incertezas e seus dilemas?
Uma das formas seria estimular a criatividade. O cérebro adora desafios, resolver problemas e criar soluções inéditas. No novo contexto de trabalho pós-pandemia, a emergência dos talentos criativos do grupo tende a fomentar a construção de uma inteligência coletiva, valorizando o papel de todos. Ocupados em criar o novo, saímos da inércia.
De que forma você acredita que podemos exercitar um convívio mais harmonioso com aquilo que é incerto? Seria essa habilidade o diferencial de um bom líder?
Sem dúvida. Gerenciar a incerteza, minimizando seus riscos, é imprescindível. Para tanto, o líder deve ser um bom leitor de contexto, mais observador e menos crítico. Preocupar-se em fazer perguntas, em vez de acreditar que deve ter todas as respostas, é como um líder deve ser. Estamos tendo a chance de criar um novo significado para a cooperação, diferente do que tínhamos antes. Agora mais necessidade que virtude.
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Inscreva-se no webinar gratuito O papel da liderança em tempos de crise, do LABFIN.PROVAR, no dia 12/05, às 20h, com Fátima Jinnyat e Beatriz Garcia.




