O conceito de inovação mantém fortes conexões com a tecnologia e a transformação digital, mas podemos dizer que se baseia, sobretudo, em duas soft skills: criatividade e resiliência.
Por isso, não é possível falar de inovação sem falar de habilidades humanas, tendo a tecnologia o papel de facilitar os processos, de modo que os talentos possam encontrar, coletivamente, soluções criativas para os desafios que se apresentam.
Para inspirar empresas e colaboradores a desenvolverem uma cultura de inovação nos negócios pautada nas soft skills, reunimos neste artigo algumas reflexões sobre o conceito, a partir de entrevistas recentes que tivemos com o diretor do Centro de Inovação da Capgemini Brasil, Ernesto Diaz, e com o professor e consultor em Transformação Digital do Negócio e Inovação Estratégica Empresarial Antonio de S. Limongi França.
Afinal, o que é inovação?
Embora haja diversas definições, podemos dizer, basicamente, que inovação é o hábito de aplicar a criatividade de forma resiliente, mediante o talento das pessoas, para resolver problemas e mudar resultados de negócios.
Aqui, destacamos as palavras “resiliência” e “criatividade”, pois inovação começa por pessoas e a tecnologia entra como habilitador do processo de criação.
O primeiro foco do processo de inovação consiste em aplicá-la para a resolução de um problema de negócio. Isso inclui oportunidades, ameaças e, evidentemente, a reinvenção e a proposição de novas iniciativas.
O segundo foco é habilitar os talentos para aplicação constante, eficiente e resiliente da inovação.
Mais uma vez, vale destacar a palavra “resiliência”, pois inovação não deve se limitar a um exercício que tem princípio, meio e fim. Ela deve se retroalimentar através de um processo e de uma plataforma de tecnologia que garantam a descoberta contínua dentro das empresas.
Inovação e transformação digital são a mesma coisa?
Muita gente se pergunta qual é a fronteira entre a inovação e a transformação digital. Haveria uma sobreposição dos conceitos?
De modo geral, ao ouvirmos o termo “transformação digital”, é quase intuitivo relacioná-lo de imediato e exclusivamente à tecnologia.
Embora, de fato, a relação entre eles seja intrínseca, não se pode restringir a definição de transformação digital ao uso de soluções tecnológicas em processos até então feitos manualmente.
Transformação digital diz respeito, antes, a uma profunda mudança estrutural, pautada pela tecnologia, que se estende desde os mínimos procedimentos do modelo operacional até a dinâmica de trabalho dos colaboradores.
No caso da inovação, pode-se dizer que ela administra a incerteza, tanto o sucesso quanto o insucesso, não se limitando à experiência, mas se constituindo como um processo de aprendizado contínuo para encontrar novos horizontes e construir e/ou identificar iniciativas que gerem novas receitas ou resolvam problemas de negócio.
Já a transformação digital é muito mais orientada à adoção de tecnologias de última geração para resolver problemas tradicionais de negócio, de modo integrado e em consonância com o ecossistema em que se encontra a organização.
Evidentemente, a aplicação de tais tecnologias precisa estar alinhada com as estratégias inovadoras do negócio, e é justamente nesse ponto em que a inovação e a transformação digital se sobrepõem.
A importância das soft skills
Como vimos mais acima, a inovação lida essencialmente com a incerteza, que, por sua vez, se ampara, sobretudo, nas habilidades socioemocionais.
Numa cultura organizacional em que, ao contrário, a certeza é valorizada acima de tudo, as competências técnicas — hard skills — costumam prevalecer sobre tais habilidades.
Porém, em contextos cada vez mais marcados por um alto grau de complexidade e instabilidade, as soft skills começam a ocupar o mesmo patamar de importância no mundo empresarial.
Isso acontece porque, se as tecnologias se reciclam numa velocidade desconcertante, os talentos das pessoas permanecem.
Quando nos referimos a talentos, estamos nos referindo especialmente ao mindset, que se manifesta de forma espontânea, proativa e recorrente para resolver problemas.
São exemplos disso a destreza organizacional — indispensável para a persuasão num processo de inovação ou ideação —; o espírito empreendedor — aquele capaz de enfrentar e administrar riscos, sem temer as incertezas e as vulnerabilidades; e a empatia — como o profissional consegue engajar outros colegas, articular ou inspirar equipes para alavancar um processo de ideação ou criatividade coletiva.
Ou seja, além das competências técnicas, as habilidades interpessoais são fundamentais para o processo de inovação num mundo que demanda constantemente a reinvenção das organizações e dos profissionais por meio da criatividade e da resiliência.
Fonte: LABFIN.PROVAR – FIA
***
Você já parou pra pensar que cada um pode ter uma forma diferente de aprender melhor? Sabe qual é a sua? Clique aqui e descubra seu estilo de aprendizagem e a forma como você lida com as situações de sua vida





