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Projeções do cenário econômico para o planejamento de 2024

jan 19, 2024 | Varejo | 0 Comentários

Planejar e compreender o cenário é fundamental para qualquer setor. No varejo, o planejamento é o ponto de partida para definir compras, dimensionar equipes, estrutura de lojas e outros aspectos imprescindíveis para o controle das atividades.

O ano de 2023 surpreendeu positivamente os que fizeram previsões para a economia para o ano. Na matéria que aborda o  tema no Portal Inteligência Financeira, fica nítido que o agronegócio teve papel determinante para as diferenças entre o esperado e o realizado, sobretudo no que diz respeito ao PIB. Porém, para o varejo, o ano não foi tão diferente do que estava previsto.

O alto endividamento das empresas varejistas aliado a uma alta taxa de juros trouxe dificuldades, conforme pode ser observado na matéria divulgada no Portal do IBEVAR sobre o levantamento do desempenho das empresas no ano, apesar do aumento do faturamento.

Para o ano de 2024, a previsão de crescimento da economia não é tão favorável quanto o que ocorreu em 2023. Porém, há oportunidades (e riscos, como sempre) para o varejo, conforme detalharemos a seguir.

A Selic vai cair como se espera?

A taxa Selic é a referência básica para o custo do dinheiro. Se essa taxa aumenta, o dinheiro fica mais caro, tornando mais difícil o investimento e o consumo.

Para as empresas varejistas, fica mais caro obter recursos para financiar a compra de estoques, conceder prazos aos clientes para pagamento e expandir a estrutura física.

Em 2023 a taxa permaneceu o ano todo entre 13,75% e 11,75%, iniciando a queda em agosto e resultando em uma taxa média de aproximadamente 13,2% ao ano. Considerando que a inflação do período foi de 4,6%, os juros reais foram de mais de 8% ao ano, o que é muito alto!

Essa taxa contribuiu para frear o consumo, em um contexto de redução de desemprego e aumento de renda nominal. O crédito dado diretamente pelas lojas ficou mais caro, dificultando o consumo de bens duráveis e semiduráveis.

Em 2024, há expectativa de queda da taxa Selic. Acredita-se que a redução seja de 0,5 ponto nas primeiras 3 reuniões e 0,25 nas seguintes, finalizando o ano em 9%. Essa redução pode melhorar o ambiente para os varejistas de bens de consumo duráveis e semiduráveis, facilitando a aquisição de estoques e o parcelamento de compras para os clientes, podendo também proporcionar um aumento de faturamento para os varejistas desses segmentos.

Ou seja, a queda da taxa Selic é um ponto crítico que pode determinar o ritmo de crescimento do varejo no ano de 2024. No entanto, esse não é o único elemento, além de haver riscos para o ritmo de redução dessa taxa. Vamos falar sobre esses aspectos a seguir.

Famílias endividadas compram menos

O endividamento das famílias passou por uma redução durante o ano de 2023. Porém, ainda se situa em um patamar próximo dos 70%, nível superado em outubro de 2021 após permanecer por diversos anos abaixo desse patamar, conforme gráfico a seguir.

Fonte: PEIC – Fecomércio 2024

Esse endividamento está concentrado no cartão de crédito, dívida que representa quase 85% do total, conforme pode ser observado no gráfico a seguir.  É o tipo de dívida mais cara, acompanhada do cheque especial, mas que não depende tanto da Selic e sim das políticas de taxas de juros das administradoras. Com a mudança recente, promovida pela Lei do Programa Desenrola Brasil, em vigor a partir de 2024, as taxas de juros dessa modalidade não poderão ultrapassar 100% ao ano, o que diminui o impacto dos juros e facilita a sua quitação.

Fonte: PEIC – Fecomércio 2024

O Programa Desenrola, que incentiva a quitação das dívidas por meio de descontos junto às instituições financeiras, pode contribuir também para manter a redução do endividamento, desde que mais pessoas utilizem o programa para resolver a sua situação de endividamento.

Se isso ocorrer, ou seja, se o endividamento diminuir, pode haver mais renda disponível para consumir, favorecendo o crescimento das vendas. Porém, se o endividamento permanecer em níveis elevados, o espaço na renda para consumir não será tão grande, dificultando o aumento do faturamento dos varejistas, principalmente de bens duráveis e semiduráveis.

Portanto, o endividamento das famílias constitui um dos riscos para a expansão do varejo em 2024.

Endividamento das empresas

As empresas varejistas, ao menos as de capital aberto listadas na B3, apresentaram aumento do endividamento nos últimos 12 meses. Esse fato, aliado à manutenção de taxas de juros elevadas, ocasionou o aumento expressivo das despesas com juros durante o período.

Esses juros comprometem parte do resultado e do fluxo de caixa das empresas, sobrando menor espaço para investimento. Por isso, para que as empresas continuem investindo para crescer, é importante que os juros diminuam.

Nesse momento vemos mais um efeito que depende da taxa básica de juros. Caso a taxa Selic caia, as despesas financeiras devem diminuir, sobrando mais espaço para investimentos em expansão das redes, aquisição de estoques e oferecer melhores condições de pagamento aos clientes.

Porém, caso as quedas não ocorram como esperado, as despesas financeiras vão novamente ocupar espaço importante no resultado, comprometendo a capacidade de investimento.

Risco fiscal

As contas públicas devem determinar parte do rumo da economia em 2024. Isso porque quando o governo tem dificuldade em manter as contas sob controle e o déficit aumenta, ocorre pressão sobre os preços, causando inflação.

E no caso brasileiro, os gastos públicos estão em ascensão, enquanto a arrecadação é afetada por algumas variáveis, como as desonerações de folha de pagamento e reforma tributária. Com esses fatores de incerteza, o cenário mais provável é que o governo acabe gastando mais do que arrecada em 2024, gerando um déficit maior.

Esse quadro pode, de fato, ocasionar maior pressão sobre os preços, levando o Banco Central a diminuir o ritmo de queda das taxas de juros, ou seja, fazendo com que as taxas de juros permaneçam elevadas por mais tempo.

Esse é um risco real que pode comprometer o crescimento do varejo em 2024, sobretudo dos bens de consumo duráveis e semiduráveis.

Conflitos geopolíticos

O mundo tem passado por diversos conflitos, desde a guerra da Ucrânia, atentados na Faixa de Gaza e mais recentemente ataques realizados pelo Irã. Esses conflitos acabam tendo consequências diversas, afetando também o varejo brasileiro.

O primeiro impacto desses conflitos é o possível aumento de custo de produtos e insumos. Isso ocorre tanto por conta da escassez de bens, como o petróleo, quanto pelas possíveis dificuldades de trânsito em algumas regiões, como o estreito de Ormuz, por onde passam muitos navios carregando produtos de diversas categorias para todo o mundo. Com maior dificuldade de trânsito, os custos de frete marítimo aumentam, elevando o preço de produtos e insumos importados.

Com esse aumento de preços, ocorre uma pressão sobre a inflação de produtos e serviços no Brasil, dificultando novamente o processo de redução de taxas de juros.

Quebra de safra

O agronegócio, proporcionou excelentes resultados para a atividade econômica brasileira em 2023, graças à supersafra que quebrou recordes de produção e impulsionou o crescimento do PIB.

Para o ano de 2024 há desafios associados às condições climáticas proporcionadas pelo El Niño. As safras de soja e milho podem sofrer quebra, ocasionando queda na produção.

Os impactos devem ser sentidos no preço de todos os derivados de soja e milho, bem como nos preços das proteínas, pois esses grãos são utilizados como base nas rações de bovinos, suínos e aves.

Com isso, poderemos observar em 2024 um aumento dos preços de todos os derivados de soja e milho, bem como aumento dos preços das proteínas bovinas, suínas e de aves.

Isso pode ocasionar então mais um componente de pressão inflacionária, elevando preços e retardando mais uma vez a queda de juros pelo Banco Central.

Olhando também para o exterior

Além dos riscos internos, os rumos do varejo brasileiro dependem da economia estrangeira, sobretudo da inflação, ritmo de redução de taxas de juros e crescimento do PIB dos Estados Unidos e Europa.

Ainda sob efeito da inflação pós-pandemia, boa parte dos países do mundo passa por um processo de análise dos efeitos da política monetária restritiva (taxas de juros altas) para determinar a redução de taxas de juros.

A inflação tem desacelerado nas principais economias, mas ainda não atingiu o patamar de meta dos bancos centrais e ainda há o risco de que fique estagnada em patamares elevados. Ou seja, a luta contra a inflação ainda não acabou nessas economias, então o ritmo de redução de taxas de juros nesses países ainda é incerto.

Entre os fatores que podem determinar a redução dessas taxas estão outros itens mencionados neste texto, como os conflitos geopolíticos, que podem provocar pressões inflacionárias nessas economias, retardando o ritmo de redução de juros.

Se as taxas de juros externas permanecerem elevadas, o processo de redução de taxas de juros pelo Banco Central do Brasil poderá ser retardado.

Além disso, a manutenção de um ritmo de inflação maior em outros países pode manter os custos de produtos e insumos em alta, causando maior pressão sobre as margens dos varejistas e reduzindo o potencial de crescimento do faturamento para 2024.

Inflação sob controle?

Diferente das principais economias mundiais, onde a inflação ainda está em patamares elevados, no Brasil a inflação já está em queda. O IPCA, considerado o índice oficial de inflação, registrou alta de 4,62% no ano de 2023, contra 5,79% em 2022 e 10,06% em 2021. Ou seja, a inflação de fato vem caindo nos últimos anos, mostrando relativa eficácia da política monetária restritiva adotada pelo Banco Central.

No entanto, o indicador ainda não se encontra na meta, que para 2023 era de 3,25%, estando próximo do limite máximo que seria de 4,75% (3,25% + 1,5pp). Além disso, a meta para 2024 é de 3%, aumentando o desafio de manter a inflação dentro da meta.

Como vimos nos trechos anteriores, vários dos riscos ao varejo estão relacionados de certa forma com a inflação, como o risco fiscal, conflitos geopolíticos, quebra de safra e a inflação no exterior.

E o controle da inflação também determina o ritmo de redução nas taxas de juros. Se a inflação der sinais de que está sob controle, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) pode manter o ritmo de redução da taxa básica de juros, trazendo benefícios ao varejo. Caso contrário, os desafios ao segmento e à nossa economia se manterão elevados, dificultando o consumo e o crescimento.

Vale lembrar que a inflação em si tem diversos impactos sobre o varejo, e que esses impactos não se dão de forma homogênea.

Para o varejo de bens não duráveis, a inflação não tem efeitos tão negativos. Isso porque por se tratar de itens de consumo básico, como alimentos e medicamentos, a demanda é menos sensível aos aumentos de preços.

Já para os bens semiduráveis e duráveis, o impacto é mais forte, porque quando esses produtos aumentam de preço, os consumidores tendem a reduzir o consumo, até porque a renda dificilmente acompanha os aumentos de preços. Nesse aspecto, vale considerar também que a inflação tem efeito negativo sobre a capacidade de consumo das famílias, dificultando mais uma vez o cenário para o varejo.

Os desafios são muitos para o ano, mas há também oportunidades. Observar o cenário e as tendências para planejar os próximos passos é fundamental, e conhecer os conceitos econômicos auxilia muito no processo decisório para o varejo, que é um setor sempre dinâmico e afetado diretamente pelas condições econômicas.

Texto escrito por Marcos Piellusch. 

Marcos Piellusch é Diretor Vogal do IBEVAR e professor da FIA – LABFIN.PROVAR.  

Fonte: Redação FIA – LABFIN.PROVAR

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