Mais um mês correndo e as pesquisas nos mostram como o consumidor está mais contido, evitando compras por impulso e situações que o levam a contrair novas dívidas. Esse cenário estabiliza a negativação. Por outro lado, vemos que a baixa das contratações de trabalho e consequente queda na renda familiar geram graves efeitos no bolso do consumidor e na quitação de seus compromissos.
Conforme levantamento do IBEVAR (Instituto Brasileiro de Executivos do Varejo e Mercado de Consumo), estamos com o maior índice de inadimplência no Varejo de recursos livres das pessoas físicas desde o começo do ano. Além disso, a taxa média de pessoas físicas com atraso de pagamentos acima de 90 dias deve chegar a 4,69%.
Isso é comprovado nos dados levantados pelo estudo recente realizado pelo IBEVAR. Entenda melhor neste artigo.
Tendência de alta
Segundo o estudo, a estimativa da taxa média mensal deve alcançar 4,69%, aumento de 0,01 ponto percentual em comparação à projeção para março e 0,08 em relação à taxa real de janeiro de 2022. As estimativas para maio e junho apresentam índices mais baixos: 3,05% e 2,82%, respectivamente.
“A tendência de alta no índice de inadimplência continua para abril. Esse resultado decorre da pressão dos preços, inflação, sobre o rendimento das famílias. A redução esperada para maio e junho decorre da própria contração das despesas. Entretanto, essas projeções, maio e junho, podem ser revisadas dependendo da evolução das vendas em abril, uma vez que para sustenta-las as condições econômicas das pessoas continuará sendo fortemente impactada pela desvalorização monetária”, diz Claudio Felisoni de Angelo, presidente do IBEVAR e do núcleo de Programas de Varejo da FIA – LABFIN.PROVAR.
Portanto, a inadimplência é diretamente impactada pelo cenário econômico. Fica fácil perceber isso ao observar a evolução no número de inadimplentes nos últimos anos no Brasil, marcados pela ocorrência de uma severa crise econômica.
Entre 2015 e 2016, o país viveu a pior recessão de sua história, com retração do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,8%, em 2015, e 3,6%, em 2016. E ainda sem se recuperar desse cenário, o varejo passou por dois anos de pandemia com inúmeros desafios nunca vistos na história recente do setor.
Outros apontamentos
O resultado foi calculado com base na média entre os índices mínimos e máximos dos atrasos de pagamento acima de 90 dias, em torno de 4,34% a 5,03%. A inadimplência de pessoas físicas com recursos livres considera todas as operações com parcelas em atraso acima de 90 dias de atraso, com exceção das vinculadas ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou lastreados em recursos compulsórios ou governamentais.
Dessa forma, a inadimplência compromete o fluxo de caixa, prejudicando tanto a projeção de entrada de receitas, como o controle das contas a pagar e do endividamento.
Nesse contexto, a empresa pode enfrentar dificuldades ou depender de mais capital de giro, por exemplo. No final, tudo isso se reverte em aumento dos custos e redução dos ganhos. E essa dinâmica vira um ciclo em que o próprio consumidor também acaba sendo prejudicado lá na ponta.
Sobre as pesquisas
O IBEVAR realiza mais de 40 pesquisas periódicas anuais que contribuem com o mapeamento do setor de varejo que podem ser baixadas na gratuitamente na plataforma. O Instituto também oferece Pesquisas Personalizadas contratadas por demanda.
Sabia que alunos da Pós-graduação e MBAs da FIA – LABFIN.PROVAR possui esse benefício? Você pode se tornar associado e consultar dados e conteúdo relevante do mercado varejista. Acesse o site e confira!
Fonte: IBEVAR e FIA – LABFIN.PROVAR





