Com a aproximação do final de 2024, o cenário econômico brasileiro apresenta novos desafios para os planejadores financeiros que atuam com gestão de patrimônio pessoal.
A recente alta do IPCA, que subiu 0,44% em setembro, impulsionada principalmente pelos custos de energia e alimentos devido à seca, e as expectativas de aumento na taxa de juros são temas centrais para aqueles que auxiliam seus clientes a protegerem seus investimentos e planejarem o futuro financeiro.
Neste texto abordo como esse contexto macroeconômico afeta o planejamento financeiro pessoal e quais são as estratégias recomendadas para os planejadores financeiros ajudarem seus clientes a tomarem as melhores decisões de alocação de recursos.
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Alta da Inflação e Custos de Vida: Ajustando o Planejamento
A inflação impacta diretamente o poder de compra das famílias, especialmente quando atinge itens essenciais, como energia elétrica e alimentos, que pressionaram o IPCA em setembro. Essa alta nos preços afeta o orçamento doméstico, exigindo revisões no planejamento financeiro dos clientes.
Orientação para os planejadores financeiros:
- Revisar os orçamentos pessoais dos clientes, especialmente aqueles com gastos mais sensíveis a itens inflacionados, como famílias de baixa renda ou aposentados que dependem de uma renda fixa.
- Propor ajustes nos gastos mensais e sugerir a manutenção ou criação de uma reserva de emergência robusta para cobrir despesas imprevistas.
- Avaliar a adequação de produtos de investimento atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+, que podem proteger o poder de compra ao longo do tempo.
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Perspectivas de Alta dos Juros: Impactos nos Investimentos e Dívidas
Com o aumento dos juros como uma possibilidade concreta devido à pressão inflacionária, a Selic pode deixar de cair tão rapidamente quanto o previsto. Isso traz impactos tanto para os produtos de renda fixa quanto para aqueles clientes que possuem dívidas, especialmente financiamentos imobiliários e crédito pessoal.
Orientação para os planejadores financeiros:
- Reavaliar a alocação em renda fixa dos clientes, destacando a atratividade de produtos que acompanham a Selic, como CDBs, LCIs e Tesouro Selic, que podem oferecer bons retornos em um cenário de juros elevados.
- Auxiliar os clientes a renegociar ou amortizar dívidas de longo prazo antes que as taxas de financiamento voltem a subir, como financiamentos imobiliários e empréstimos pessoais.
- Considerar a possibilidade de diversificação internacional para clientes com perfil mais arrojado, reduzindo a exposição a um cenário exclusivamente nacional.
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Protegendo os Investimentos com Diversificação e Renda Fixa
Para os planejadores financeiros, ajudar os clientes a proteger seu patrimônio é uma prioridade em momentos de incerteza econômica. A combinação de alta inflação e juros elevados pode ser desafiadora, mas também oferece oportunidades para a reavaliação das carteiras de investimentos.
Orientação para os planejadores financeiros:
- Diversificar as carteiras, mesclando produtos de renda fixa com títulos atrelados ao IPCA e outros indexados ao CDI, garantindo uma proteção contra a inflação e aproveitando os rendimentos da alta de juros.
- Para clientes com perfil conservador, reforçar a importância de manter a liquidez e a segurança de uma parte do portfólio em produtos com alta previsibilidade.
- Em contrapartida, para os clientes com maior tolerância ao risco, pode ser o momento de identificar boas oportunidades na renda variável, dado que empresas sólidas podem oferecer valorização a médio e longo prazo em um cenário de recuperação.
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Ajustando Objetivos de Longo Prazo
O cenário de 2024 exige que os planejadores financeiros revisem as metas de longo prazo dos seus clientes, especialmente aqueles que estão próximos de grandes decisões, como a aposentadoria ou a compra de um imóvel. As mudanças na taxa de juros e na inflação podem afetar o tempo necessário para alcançar essas metas e exigir ajustes nos aportes mensais.
Orientação para os planejadores financeiros:
- Reavaliar os cálculos de aposentadoria, considerando o impacto da inflação nos rendimentos futuros e o potencial de valorização dos ativos em um ambiente de juros altos.
- Ajustar as metas de curto e médio prazo, como a compra de imóveis, levando em conta as novas taxas de financiamento e a perspectiva de estabilidade de preços no mercado imobiliário.
- Manter uma comunicação próxima com os clientes, atualizando-os sobre mudanças no cenário econômico e reforçando a importância de manter uma estratégia de investimento adaptável.
Conclusão: Preparando-se para 2025 com Planejamento e Estratégia
O final de 2024 traz um cenário de inflação em alta e possíveis ajustes na política monetária que demandam uma atenção redobrada dos planejadores financeiros. A habilidade de antecipar os impactos econômicos nos planos financeiros dos clientes e ajustar as estratégias de investimento e gestão de dívidas será fundamental para garantir que as famílias estejam preparadas para enfrentar as incertezas e possam iniciar 2025 em uma posição mais segura.
Planejadores financeiros têm um papel essencial em momentos como este, oferecendo orientação personalizada e ajudando os clientes a tomarem decisões informadas. Com uma abordagem proativa, é possível transformar os desafios de curto prazo em oportunidades de longo prazo, mantendo o foco em um planejamento financeiro sólido e alinhado às necessidades de cada cliente.
Por: Prof. Marcos Piellusch
Marcos Piellusch é diretor Vogal do IBEVAR e professor da FIA – LABFIN.PROVAR. Mestre em administração de empresas pela EAESP FGV – Fundação Getúlio Vargas e graduado em administração de empresas pela FEA-USP – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.
Fonte: Redação IBEVAR




