Desde a Antiguidade, as histórias estiveram presentes em nosso cotidiano. Tanto os contos infantis e as ficções narrados por nossos pais e avós para promover o entretenimento, o descanso ou para instruir, quanto as histórias, como ciência, para estudar acontecimentos reais, nossas origens e as origens de outras civilizações, as relações humanas, a cultura, as formas de escambo e a comercialização de mercadorias, a vestimenta, a alimentação, as bebidas, os valores proclamados, as rupturas, as lutas e guerras que motivaram grandes transformações em cada época do processo histórico.  A aplicação das histórias para outros fins, entretanto, é recente. A palavra história, de origem grega, sofreu no século XX  influência e interferência da palavra inglesa story e o vocábulo composto Storytelling (story – história e telling – contação), narração de histórias, passou a ter significativa presença no marketing (Storyselling) para agregar valor, atrair vendas e encantar consumidores que buscam não só produtos ou serviços, mas também, e principalmente, experiência de consumo.

Os consumidores são bombardeados diariamente por uma quantidade sensível de informações e conteúdos e torna-se um desafio constante às empresas encontrar meios de se sobressaírem nesse universo, prenderem a atenção, conquistarem audiência e clientes.  Contar histórias é uma forma criativa de se estabelecerem relações de empatia com a marca, produzir conteúdo, inspirar, atrair os consumidores para a ação de compra, agregando valor ao cliente e ao varejista.

A história tem o poder de penetração na memória. Uma boa história conecta e cria vínculo com a marca. A base da criação deve ser a essência que se deseja ver transparecida em sua marca. Uma boa história cria identidade com pessoas que tenham a mesma essência e os mesmos valores, e não é isso o que desejamos? Ter consumidores conectados com nossos valores e nossa essência e imbuídos do desejo de possuir nossos produtos ou serviços? Por que as grandes marcas se utilizam de testemunhos, histórias de consumidores sobre o relacionamento com a marca?

O storyselling não é só uma poderosa ferramenta de marketing, é uma nova forma de entender e tratar a complexidade dos negócios, um dos principais componentes para a construção de estratégia de marketing de conteúdo e um dos mais eficazes meios de persuasão. O que se deve ter em mente no storyselling é a criação de um clima favorável que implique conteúdo para acrescentar conhecimento, inspirar e favorecer a adesão do público. Uma história emocionante é a garantia no estabelecimento de vínculo, além de ajudar a reter a atenção e fidelizar clientes.

No livro intitulado Marketing de Conteúdo: a moeda do século XXI (REZ, 2016), o autor descreve uma das mais conhecidas definições de marketing de conteúdo, a da Content Marketing Institute, criada nos Estados Unidos, para quem “o marketing de conteúdo é uma técnica que cria e distribui conteúdo de valor, relevante e consistente, para atrair e engajar uma audiência claramente definida, com o objetivo de encaminhar o cliente a tomar alguma ação que gere lucro” (REZ, 2016, p.2).

Em sua última edição do  brandshare™, estudo global da Edelman Significa (filial sulamericana da maior agência de relações públicas do mundo), com foco em consumo (DESTINO NEGÓCIO, 2015), aponta que 52% dos respondentes acham importante convidar os consumidores para serem parte do processo de desenvolvimento do produto ou serviço e processo de refinamento.

Para criar histórias memoráveis, hão de se seguir alguns conselhos de especialistas em Storytelling como Fernando Palacios e Martha Terenzzo (2016):

  • Criar a história com fundos verdadeiros e, em caso de ficção, deixar os consumidores    saberem isso;
  • Ter clareza sobre o público-alvo e suas necessidades e criar uma ligação para chamar-lhe a atenção;
  • Entender quais conteúdos relevantes atrairiam os clientes, usando uma linguagem não técnica;
  • Elaborar a estrutura da narrativa de acordo com os objetivos para despertar a imaginação;
  • Convidar os consumidores/clientes/público-alvo a se envolverem na co-construção do storytelling;
  • Garantir a audiência por meio da troca de valor para a marca e para o consumidor.

O marketing de conteúdo é a estratégia para se atingir os consumidores e o storytelling, o processo para tal. Como o alvo do varejo é vender, devemos criar histórias para tanto e passaremos de storytelling para storyselling.

Todos temos boas histórias para contar, inspirar e seduzir. E público para ouvi-las e consumi-las

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Referências

  • PALACIOS, Fernando & TERENZZ0, Martha, 2016. O Guia Completo do Storytelling. Rio de Janeiro: Alta Books.
  • REZ, Rafael, 2016. Marketing de Conteúdo: A Moeda do Século XXI. São Paulo: DVS Editora.
  • Slideshare,EdelmanInsights/brandshare-2014. Disponível em: <http://pt.slideshare.net/EdelmanInsights/brandshare-2014-40307975?related=1> Acesso em 10 de dezembro de 2016.
  • Vivo, Storyselling: 5 dicas para cativar os consumidores contando histórias. Disponível em: <http://destinonegocio.com/br/negocios-online/storyselling-5-dicas-para-cativar-os-consumidores-contando-historias/>. Acesso em 10 de dezembro de 2016.

Fonte: LABFIN.PROVAR