Imagine à noite você sentado sobre a areia de uma praia. Olhando na direção do horizonte é possível divisar luzes que brilham. Não são intensas e tampouco estão próximas da praia. Pode-se transpor essa imagem para um contexto diferente. Como é usual ao enfrentar uma situação difícil muito frequentemente se pergunta: há luz no fim do túnel?
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Usando essa metáfora podemos indagar a respeito do mercado de consumo no Brasil no futuro. Há luz para o varejo brasileiro no fim do túnel? O que se pode esperar para o País dada a condição desfavorável hoje enfrentada?

A resposta no meu entender é: há sim. Porém, estamos no período noturno e as luzes parecem não brilhar tanto nem estarem tão próximas. Ou seja, as oportunidades existem são reais, não são ilusão de ótica, mas para vê-las de fato em toda sua amplitude algumas boas milhas náuticas precisam ser percorridas. Na verdade as luzes são intensas, mas à distância, como é óbvio, parecem tímidas.

Por qual razão se acredita na intensidade da luz que de longe não se percebe? É simples. Dados do Banco Mundial dão conta que nos Estados Unidos e na Europa, 10% dos mais ricos concentram aproximadamente 25% do consumo das famílias. No Brasil, os 10% mais ricos concentram nada menos que 45% do consumo. Veja hoje, por exemplo, quantas pessoas no País ainda não tem acesso a grande parte de bens duráveis. Os números colorem a realidade com mais dramaticidade se em vez de bens duráveis forem considerados os serviços.

É claro que um processo distributivo só acontecerá de fato em um cenário de crescimento. Isso por certo ocorrerá. É preciso antes de tudo superar as limitações políticas. O ambiente externo, embora não favorável, não será o principal inibidor. Nossas principais dificuldades estão bem mais próximas da praia que frequentamos.

As empresas de varejo já fizeram grande parte do ajuste: fecharam lojas, reduziram o quadro de pessoal, etc. Agora é preciso procurar fazer mais com menos. Isto significa maior atenção à operação, investir na qualificação do pessoal e, trabalhar com processos e tecnologias destinadas a traduzir dados em informações para orientação das decisões táticas e estratégicas. Aqueles que fizerem isso terão condições de ver a intensidade da luz que hoje brilha à distância. Os que não fizerem, como diz o dito popular, vão morrer na praia.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]