Índice de preços ao consumidor amplo no país vizinho em 2018 teve a maior alta em 27 anos

Empresas brasileiras que têm operações na Argentina precisaram fazer ajustes em seus balanços por causa da inflação no país vizinho.
O índice de preços ao consumidor amplo em 2018 teve alta de 47,6%, o maior número em 27 anos.
No mesmo período, o IPCA do Brasil subiu 3,75%.
Pelas normas internacionais de contabilidade, um país que acumula, em três anos,
mais de 100% de aumento é considerado uma economia altamente inflacionária, e as companhias precisam seguir uma regra específica em seu balanço.
O resultado deve ser corrigido pelo índice local e depois convertido para a moeda do país da empresa.

Para a Ambev, isso teve o efeito de uma perda contável de R$ 557,8 milhões na receita anual.
O lucro líquido das Alpargatas foi diminuído em R$ 51,1 milhões por ajustes das operações na Argentina.
“A lógica desses ajustes é a de reconhecer o valor justo dos ativos: se houve perda,
é preciso marcar isso e fazê-lo de acordo com regras específicas”, diz Alexandre Chaia, professor de finanças do Insper.

Evolução mensal de índice de preços ao consumidor argentino

A Argentina passou de uma situação relativamente estável para um ambiente com classificação diferenciada,
e as empresas são obrigadas a refletir a mudança em seus balanços, segundo Rogério Alexandre, professor da FIA.
“O maior problema para as brasileiras em 2019, no entanto, será a recessão argentina.”
O país terá eleições presidenciais em 2019, com primeiro turno previsto para dia 27 de outubro.

Aproximar o embarque

O aeroporto internacional de Belo Horizonte planeja alterar sua área de logística de cargas para atrair empresas que importam matérias-primas e exportam produtos acabados.
O objetivo é abrigar interessadas em aproveitar subsídios fiscais do governo mineiro, segundo Marcos Brandão,
diretor-presidente da BH Airport, concessionária que tem participação de CCR, Zurich Airport e da estatal Infraero.
“Temos quatro MOUs [memorandos de entendimento] assinados para trazer a operação de companhias para dentro do aeroporto”, diz ele.
“A área disponível é de 480 mil m². Para ocupá-la totalmente seriam necessários investimentos de R$ 300 milhões,
que podem ser feitos pelo aeroporto e pelas empresas que se instalarem aqui.”
Outros R$ 70 milhões deverão ser investidos pela própria concessionária em infraestrutura nos terminais e em tecnologia da informação, de acordo com o executivo.

Setor elétrico já tem as próximas seis datas de leilão de geração

O calendário dos leilões para contratação de geradoras de energia para 2019, 2020 e 2021 foi publicado pelo governo. São seis datas previstas.
“Ter tempo para planejar é bom, pois dá mais chances para os investidores se prepararem”, diz Thais Prandini, da consultoria Thymos.

O setor elétrico pedia para que houvesse uma previsibilidade da agenda há anos —a indústria precisa de muito capital para construir usinas de geração,
e é importante ter sinais de que haverá contratações.
“Sempre começávamos o ano com essa pergunta: haverá leilão? Agora saberemos que sim, e em quais dias”, diz Elbia Gannoum, presidente executiva da Abeeólica (associação das eólicas).
Estão previstos dois tipos de contratos, os que exigem entrega da energia em quatro anos (mais característicos de fontes como eólica, solar e biomassa) e os de seis anos (voltados a hidrelétricas e térmicas).
Há discussões no Congresso sobre a contratação: se deve levar em conta unicamente o preço da energia ou também o tipo de matriz.

Expectativas abastecidas

O faturamento das empresas atacadistas cresceu 4,74% em janeiro deste ano, segundo a Abad (associação setorial) e a FIA (Fundação Instituto de Administração).
Ao se considerar a inflação, o aumento real das vendas no primeiro mês de 2019 foi de 0,93%.
A alta é um sinal de continuidade do movimento registrado no fim de 2018, quando o setor começou a ter
crescimento no acumulado do ano em outubro, novembro e dezembro, de acordo com a entidade.
Variação nominal do faturamento do setor, em relação ao mesmo mês do ano anterior

 

Uma melhora mais relevante, porém, só ocorrerá caso reformas como a da Previdência e a tributária sejam aprovadas, afirma Emerson Destro, presidente da Abad.
“Enquanto não houver uma redução significativa no número de desempregados, não podemos nos enganar e achar que vai aumentar o consumo. Por enquanto, há mais uma expectativa de início de ano.”

Folha de S. Paulo