[vc_row][vc_column width=”1/1″][vc_column_text css=”.vc_custom_1457715868898{border-right-width: 1px !important;border-left-width: 1px !important;padding-right: 20px !important;padding-left: 20px !important;border-left-color: #b5b5b5 !important;border-left-style: solid !important;border-right-color: #b5b5b5 !important;border-right-style: solid !important;}”]A evolução da ciência e da tecnologia sempre trouxe e continua trazendo benefícios incontáveis para a humanidade, com uma imensurável melhora do bem-estar social. Porém à medida que o mundo evolui e a população mundial vai crescendo, o mundo vai se tornando cada vez mais dependente deste importante insumo: energia. Por isso, energia é um tema que ocupa constantemente o centro de grandes debates internacionais.

No âmbito econômico, a energia tem um papel fundamental: é capaz de gerar riqueza, aumentar a produtividade e a competitividade de um país, afetando inclusive suas relações comerciais, pois é um importante componente dos custos de produção. Como insumo básico de praticamente qualquer tipo de produto, energia barata e disponível é essencial para qualquer país que queira crescer e se desenvolver.

Estimativas da International Energy Agency (IEA) indicam que a demanda mundial por eletricidade deve crescer cerca de 70% até 2040. Ao mesmo tempo, a busca por soluções que reduzam os impactos ambientais da geração de energia torna-se cada vez mais inadiável. Assim, embora a recente queda no preço do petróleo indique que a redução das fontes tradicionais na matriz energética mundial será um processo lento, a crescente preocupação com o meio ambiente e a inegável necessidade de se reduzirem as emissões de gases causadores do efeito estufa apontam para novos caminhos. A própria IEA prevê que, já no início dos anos 2030, a geração de energia a partir de fontes renováveis ultrapassará a geração proveniente do carvão, que hoje é a fonte mais utilizada no mundo.

O acordo do clima assinado em Paris no final de 2015 foi um importante passo nesse sentido. É sabido que dificilmente será possível reduzir a emissão de CO2 na atmosfera sem se definirem as fontes de energia que garantirão a manutenção do crescimento e do desenvolvimento econômico. Essa foi, inclusive, uma das grandes polêmicas envolvendo o protocolo de Kyoto, que acabou não sendo ratificado pelos Estados Unidos e por outros países preocupados com o impacto dos compromissos a serem assumidos no crescimento de suas economias.

O acordo de Paris, por sua vez, ajudou a definir um panorama geral para a aceleração da expansão do uso de energia proveniente de fontes renováveis e foi aclamado por diversos especialistas. Entretanto, questões importantes para a efetiva implantação do que foi acordado ainda estão em aberto, como, por exemplo, como garantir o direcionamento de fontes de financiamento para os projetos de energias renováveis. Investimentos em novas tecnologias sempre envolvem elevado grau de incerteza. Isso dificulta não somente a obtenção de crédito junto a fontes mais tradicionais de financiamento, como também exige maior retorno para atrair investidores privados, uma vez que o risco envolvido é maior. Como resolver essa questão ainda será tema para muitos debates por todo o mundo.

Olhando para o cenário doméstico, apesar de a fonte hídrica, que é responsável por cerca de 65% da geração elétrica do Brasil, se enquadrar entre as fontes renováveis com baixo grau de poluição, a construção das grandes usinas hidrelétricas gera polêmicas socioambientais, pois podem envolver o alagamento de terras indígenas ou férteis, que poderiam ser utilizadas para outros fins. Além disso, a recente seca no sudeste do país e seus impactos na oferta de energia deixaram evidente que a diversificação da matriz energética é essencial para garantir a segurança do sistema.

Há previsão de que novas usinas térmicas movidas a gás natural entrem em operação nos próximos anos, visando suprir essa necessidade, mas são as fontes alternativas que têm mais surpreendido e atraído a atenção de investidores internacionais. A energia eólica, por exemplo, já mostra que veio para ficar. Os projetos de geração a partir dessa fonte têm apresentado participação crescente nos leilões desde 2009. Segundo dados da ANEEL, 324 empreendimentos da fonte encontram-se atualmente em operação, 158 em construção e 253 ainda não tiveram sua construção iniciada. Considerando-se apenas usinas em operação, a fonte já representa quase 6% da matriz energética, adicionando 7.793 MW de capacidade de geração ao sistema elétrico brasileiro.

Os parques eólicos no nordeste têm surpreendido com um dos mais elevados fatores de capacidade do mundo, gerando novas oportunidades de crescimento da região. No sertão da Bahia, descobriu-se um “tesouro escondido”, um grande potencial para geração de energia eólica, em uma região onde há pouco tempo se via pouquíssimo potencial para desenvolvimento econômico. Atualmente, alguns estudos de consultorias especializadas indicam que os ventos baianos, se fossem plenamente aproveitados, seriam capazes de gerar energia para abastecer todo o Brasil.

A energia solar, por sua vez, ainda dá os seus primeiros passos. Em 2015, pela primeira vez, foram realizados leilões de comercialização de energia voltados exclusivamente para esta fonte. Os preços altos praticados visavam garantir a atratividade dos investimentos, tendo em vista a elevada incerteza que ainda envolve esses projetos. Os leilões foram bem-sucedidos, mas o segmento ainda enfrenta a ausência de uma cadeia de fornecedores estabelecida no país. Isso acaba expondo esses projetos a um elevado risco cambial. Ademais, fontes de financiamento de longo prazo permanecem como um desafio para a rápida consolidação desse segmento.

Recentemente, a evolução do sistema elétrico brasileiro no período entre 2002 e 2012 foi enaltecida no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Entretanto, o sistema de leilões de energia no Brasil passa atualmente por um momento desafiador. Do lado da geração, é preciso fortalecer a segurança do sistema, através de uma matriz mais robusta e diversificada e em linha com a tendência mundial de expansão das fontes renováveis, com baixos impactos socioambientais. Por outro lado, é preciso expandir a rede de transmissão, atraindo investidores para os leilões do segmento, com retorno e risco compatíveis.

O lado bom é que o desafio brasileiro não é muito maior que o de outros países. O Brasil possui fatores de capacidade de geração eólica bem acima da média, forte incidência de raios solares e uma invejável capacidade instalada de geração a partir de fontes hídricas. Isso já garante uma importante vantagem competitiva na evolução das energias renováveis. O que se precisa ajustar é a equação entre financiamento público e privado e o equilíbrio entre oferecer um retorno adequado ao investidor sem penalizar o consumidor e todo o sistema produtivo do país com energia cara. Além disso, garantir um processo de licenciamento ambiental eficiente, que não seja uma grande barreira ao desenvolvimento dos empreendimentos, mas que ao mesmo tempo garanta uma adequada proteção das questões socioambientais. Simples não é, mas há caminhos.

Para quem quer saber mais:

http://www.iea.org/publications/

http://www.acendebrasil.com.br/

http://www.aneel.gov.br/

http://www.ons.org.br/home/

http://www.portalabeeolica.org.br/

http://www.absolar.org.br/[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]