As Principais Forças Que Estão Reescrevendo as Tendências

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Novas tecnologias e a internet no início dos anos 90 prometiam um admirável mundo novo, mas, era inimaginável que as mudanças tivessem 3000 vezes mais impacto em comparação, por exemplo, com a Revolução Industrial.
As disrupções estão acontecendo e muitos dentre nós buscamos correlações entre as tendências que interagem entre si, ganham velocidade e se amplificam.
O livro No Ordinary Disruption: The Four Global Forces Breaking All the Trends, by Richard Dobbs, James Manyika, and Jonathan Woetze Public Affairs, 2015, aborda as forças disruptivas fundamentais que segundo os autores, produzem mudanças significativas inclusive nas tendências até então existentes.

A primeira delas são alterações em algumas cidades das economias ditas emergentes, que irão assumir posições mais relevantes em breve, acompanhando o dinamismo dos mercados.
Um exemplo é que empresas como Nestlé, Shell e The Coca-Cola Company já têm headquarters em Shangai e Mumbai. Estimativas recentes consideram que em 2025 a China terá mais empresas na lista da Fortune Global 500 que USA ou a CEE antes do Brexit.
A metade GDP global entre 2010 e 2025 deverá se concentrar em apenas 440 cidades ou clusters como Dubai, Hsinchu ao norte de Taiwan, ou, como destacaram os autores, no Estado de Santa Catarina no Brasil – estrategicamente próximo de São Paulo e da fronteira do Uruguai e países do Mercosul.
Tianjin cidade do tamanho de Estocolmo fica a 120 km distante de Beijing, tinha em 2010 de GDP $ 10 bi. Estima-se que em 2025, o GDP de Tianjin seja $ 130 bi – igual ao de toda Suécia.

A segunda força disruptiva é a tecnologia que irá acelerar ganhos de escala e impacto econômico pela maior presença da Internet Das Coisas (IoT) em nossas vidas, que irá acelerar ainda mais a velocidade das mudanças. O Facebook que atraiu 6 milhões de usuários no primeiro ano, deve crescer 100 vezes nos próximos cinco. O WeChat que é usado na China para mensagens texto e voz sobre Ip, tem 300 milhões de usuários – mais que toda a população adulta do USA.

Em 2009, dois anos após o lançamento do Iphone, foram criados 150.000 aplicativos e este número chegou a 1,2 mi em 2014. Estes desenvolvimentos geraram mais de 75 bilhões de downloads, que significa em média, dez para cada pessoa do planeta. O poder de processamento e a conectividade foi multiplicado pela concomitante revolução do big data, que colocou informações sem precedentes nas mãos de consumidores e das empresas que usam as plataformas de retail, como os sites Amazon, o Alibaba e outros modelos de negócio cooperativo disruptivo como o Uber e AirBnB.

A tecnologia também propiciou o surgimento de empresas como Waze e WhatsApp que obtiveram ganhos de escala com relativamente pouco investimento inicial.

As inovações disruptivas e a rápida adoção da tecnologia encurtaram o ciclo de vida de produtos e nas empresas os executivos são estimulados a ter maior agilidade na tomada de decisão antes que as defasagens entre os produtos e serviços existentes e os novo entrantes, possam comprometer o share de mercado e a retenção de clientes.

A terceira força a ser considerada pelo potencial de interferência são os fatores demográficos como a taxa de natalidade e o envelhecimento populacional, que estão redesenhando necessidades para atender a demandas crescentes ou prevenir problemas futuros. Nas últimas décadas, só uma pequena parcela da população mundial não vivia em países com taxas de fertilidade em torno de 2,1 crianças por mulher – o ideal para repor uma geração.

A partir de 2013, quase 60 % da população global vive em regiões com índices abaixo do mencionado como o ideal para adequadamente repor uma geração. Na Alemanha, o work force atual são 54 milhões de pessoas, mas até 2040 ou seja, os nascidos em 2016/ 2017 serão apenas 32 milhões quando chegarem a idade de poderem ser incorporados à força de trabalho, menos inclusive que o esperado na vizinha França. Esses dados explicam em parte a posição do governo em acolher determinado número de refugiados porque por mais que ocorra automação de certas funções, várias serão as atividades que ainda exigem ao menos coordenação, acompanhamento e manutenção de equipamentos, sem mencionar desenvolvedores de tecnologia e novas profissões ainda nem imaginadas.

Some-se a isso o final do bônus demográfico em países como Japão, Rússia, China e em breve América Latina. O envelhecimento da população irá exigir novas políticas sociais, de seguridade, produtos e serviços correlatos e redobrada atenção porque menos jovens e adultos estarão contribuindo para o custeio adicional que será exigido.

Aspectos altamente favoráveis analisados isoladamente, geram em conjunto a quarta força disruptiva das tendências: Conectividade em trade, maior volume de informação em tempo real gerando negócios, facilitando movimentos dos investidores e do fluxo de capital internacional que algumas vezes é volátil.

As maiores conexões comerciais ainda ocorrem entre os hubs Europa e América do Norte, mas o sistema global de trading já iniciou forte movimento de expansão complexa e intrincada em direção a Ásia, a qual deverá se tornar até 2025 a maior região global de trading.

Parcerias de cooperação construídas a partir do início do século 21 e acordo bilaterais dentre outros como o recente Trans-Pacific Partnership (Tpp), uniu 12 países. O fluxo “Sul-Sul” entre os mercados emergentes que já dobrou sua participação no trade global na última década. Como exemplo China – países da África que cresceu de $ 9 bi no ano 2000 para $ 211 bi em 2012 gerando dinâmica inesperada e uma nova correlação de forças não só nesta área como se expandindo para outros mercados como mineração no Brasil e petrolífero na Venezuela, dentre outros.

Mesmo após a recessão de 2008 que atingiu importantes países e regiões, a tecnologia continuou a crescer de forma contínua e ininterrupta. Nunca tivemos tantos dados disponíveis para avaliar antes da tomada de decisões, mas o que priorizar, que tendências considerar, que hábitos serão mantidos, a cultura das organizações e dos países de que forma poderá ter mudanças neste novo mundo quase sem fronteiras?

Ficam os desafios para os profissionais, os gestores, os novos formadores de opinião no mundo digital, que deverão considerar outros aspectos igualmente importantes como a ética, o respeito às normas básicas de compliance das empresas, as negociações win-win e as políticas de sustentabilidade das organizações seja no aspecto financeiro como no de preservação do planeta para as futuras gerações.

O que decidirmos hoje, será o nosso legado e seremos avaliados pelo que conseguirmos construir, viabilizar e conciliar as diferenças para o interesse de todos.

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