O dia da Mundial da Alimentação e seu impacto na vida cotidiana

Alimentar-se pelo menos três vezes por dia faz parte do nosso cotidiano. Muitos de nós, chegamos a ficar preocupados se teremos tempo de comer durante um dia agitado, se as opções de restaurantes ao nosso redor atendem aos nossos desejos ou se deveríamos dar mais atenção ao que os nutricionistas recomendam ingerir para manter a boa saúde. Pensando nisso, é difícil até de imaginar que muitas pessoas não têm acesso a nenhum tipo de alimento. Felizmente pessoas sensíveis a esse tipo de dificuldade tomam a iniciativa de buscar soluções compartilhadas, em diferentes locais do mundo.

Você sabia, por exemplo, que mais de 800 milhões de pessoas vivem em uma situação denominada “insegurança alimentar”? Isso quer dizer que mais de 800 milhões de pessoas no mundo não possuem uma alimentação saudável, de qualidade ou, principalmente, em quantidade suficiente para suprir suas necessidades. Para mudar esse quadro globalmente, algumas iniciativas encontram-se em andamento.

Em mais de 150 países, desde 1979, comemora-se o “Dia Mundial da Alimentação” no dia 16 de outubro. A data foi criada para assinalar a fundação da “Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação” (FAOFood and Agriculture Organization) fundada em 1945. Seu principal objetivo é alertar para a importância de uma alimentação saudável, acessível e de qualidade e, a cada ano, um tema é escolhido para estudar as soluções.

Segundo estudos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no Brasil cerca de 7 milhões de pessoas convivem com a “insegurança alimentar grave”. Apesar de tão amplo, há alguns anos esse número tem sido reduzido, conforme pesquisas promovidas pelo mesmo instituto. O pior período para o Brasil foi a década de 1980, momento em que 40% da população vivia em extrema pobreza.

Lembrando que o nosso país possui uma agricultura bastante desenvolvida, em 2015, ainda de acordo com o IBGE, o PIB (Produto Interno Bruto) agropecuário chegou a R$ 263,6 bilhões, valor expressivo em relação ao PIB total − soma de todas as riquezas produzidas pelo país – que atingiu R$ 5,9 trilhões. O IBGE aponta que o crescimento do setor se deve principalmente ao desempenho da agricultura. Entretanto, esse setor, no século XXI, se encontra ameaçado pelo desequilíbrio ecológico em algumas regiões, com a ocorrência de seca, inundações, e até mesmo com a destruição de lavouras provocadas por pragas. Cientistas atribuem a crise ambiental à interferência do homem nos ciclos da natureza, quando polui o ar, as águas e a terra, ao despejar os resíduos gasosos, líquidos e sólidos, de forma descontrolada, tanto nos ambientes urbanos quanto no rural.

Em 2016, o tema do ‘Dia Mundial da Alimentação’ é: “O clima está mudando: a comida e a agricultura também devem mudar”. Alguns temas já abordados no ‘Dia Mundial da Alimentação’ merecem destaque, como: “Alimentação e meio ambiente” (1989); “As mulheres alimentam o mundo” (1998); “Preço dos Alimentos – da Crise à Estabilidade” (2007); “Segurança alimentar mundial: os desafios das mudanças climáticas e os biocombustíveis” (2008); “Sistemas Alimentares Saudáveis” (2013) e, recentemente, discutiu-se sobre “Proteção Social e Agricultura: quebrando o ciclo da pobreza rural” em 2015. Contudo, o desafio de suprir as necessidades nutricionais das pessoas, diariamente, ainda persiste.

Hoje, de acordo com José Graziano da Silva, diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, não temos insuficiência de alimentos, porém a quantidade de produtos desperdiçados é suficiente para alimentar 2 bilhões de pessoas: “O fato mais chocante é que mais de 840 milhões de pessoas passam fome atualmente, apesar de o mundo já produzir alimentos suficientes para todos, e desperdiçar um terço dessa produção”. E o problema pode se agravar no futuro próximo, se nada for feito para corrigir as distorções, além de se preparar para a nova demanda.

Uma das iniciativas para apresentar soluções e divulgar o conhecimento científico e cultural para alimentar as pessoas, minimizando o impacto para o meio ambiente, ocorreu na “Exposição Universal de Milão 2015”, de 1º de maio a 31 de outubro. A temática principal “Alimentando o planeta, energia para a vida” proporcionou ao visitante uma viagem ao redor do mundo através de culturas e inovações dos países participantes.

O evento, realizado na Itália, propôs um paradigma novo, ao colocar como questão central a reflexão e a discussão dos modelos de desenvolvimento, que, até o momento, não foram capazes de diminuir as desigualdades que hoje caracterizam as relações entre nações e estratos das populações. A exposição recebeu mais de 20 milhões de visitantes que puderam conhecer as propostas de mais de 150 países participantes durante os 184 dias do evento.

Com base nas suas próprias tradições e culturas, os países propuseram soluções ao grande desafio: eliminar as condições que levam as pessoas a morrer de fome, a morrer devido a problemas de saúde causados pela má alimentação ou excesso de comida e ao desperdício mundial de alimentos.

A síntese final de todas as respostas desenvolvidas no âmbito da Exposição em 2015 foi a “Carta de Milão”, um documento político assinado pelos Chefes de Estado e de Governo, representantes da sociedade civil e organizações internacionais, personalidades e cidadãos comuns, isto é, o legado de Milão para o debate internacional sobre a utilização sustentável dos recursos do planeta, especialmente nos setores da agricultura, pecuária e pesca.

Finalmente, salienta-se que é de vital importância o respeito pela Terra, da qual extraímos os alimentos, uma vez que as pessoas estão cada vez mais exigentes com a origem e as características do que consomem.

O dia 16 de outubro nos oferece a oportunidade de refletir a respeito dos nossos hábitos alimentares, do desperdício de produtos, de embalagens e como podemos mudar o quadro da alimentação mundial. Pequenas atitudes, de forma colaborativa, podem mudar o mundo para melhor.

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