Os produtos de investimento indexados ao CDI podem proteger o investidor contra a inflação?

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Essa pergunta foi o objetivo do trabalho de conclusão de curso do aluno José Roniel Oliveira Santos no programa de Pós graduação em Engenharia Financeira da FIA.

A motivação prática para realizar o trabalho é que um patrimônio não protegido das variações da Inflação pode sofrer uma severa desvalorização ao longo dos anos. No entanto, existem estratégias que podem minimizar, neutralizar ou até mesmo superar de forma positiva seu efeito, ou seja, manter o poder de compra inalterado ou até mesmo aumentá-lo.

A pesquisa utilizou dados do período pós plano real, de 1995 a 2015, identificando que a inflação média foi de 7,41% ao ano, enquanto a dispersão em relação à média foi de 4,26% para mais ou para menos, sendo que a amplitude (diferença entre o valor máximo e mínimo) foi de 20,75% para o período.

Dito isso, fica clara a necessidade de algum instrumento de proteção contra a variação da inflação. Utilizando a análise estatística, a pesquisa revela que a taxa do DI, ou popularmente conhecida como Taxa do CDI, possui uma correlação positiva de 0,69 com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). A relação é considerada forte e, portanto, sugere que a taxa pode ser indicada para a proteção contra a variação da inflação.

Porém, considerando as oscilações nas taxas de juros e da inflação, e o risco de perdas caso a inflação fique superior à remuneração do investimento, o trabalho buscou identificar a taxa que protegeria o investidor das oscilações. Considerando a atual taxa do DI de 14,13% ao ano, uma margem de erro de 1,53%, para mais ou menos, e uma probabilidade de 95%, foi estimado que a taxa mínima do DI, que neutraliza os efeitos da inflação é de 102% do DI, para produtos livres de imposto de renda, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) ou Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Quando consideramos investimentos com incidência de IR, como o Certificado de Depósito Bancário (CDB), esse percentual vai de 120% a 132%. A tabela abaixo apresenta os percentuais da taxa do DI por faixa de IR:

 

PRAZO

INVESTIMENTOS SEM INCIDÊNCIA DE IR% DO CDI
IndiferenteLCI/LCA/Debêntures incentivadas102%
PRAZOINVESTIMENTOS COM INCIDÊNCIA DE IR% DO CDI
Até 180 diasAlíquota de 22,50%132%
De 181 a 360 diasAlíquota de 22,00%128%
De 360 a 720 diasAlíquota de 17,50%124%
Acima de 720Alíquota de 15,00%120%

 

Outro cenário leva em consideração o relatório Focus do Banco Central do Brasil (BACEN), 23/09/2016, que projeta a inflação de 2016 e 2017 para 7,25% e 5,07%, respectivamente. Estima-se que a taxa mínima do DI que neutraliza os efeitos da inflação é de 99%, para um investimento livre de imposto de renda, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) ou Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Quando consideramos investimentos com incidência de IR, como o Certificado de Depósito Bancário (CDB), esse percentual vai de 117% a 128%. A tabela abaixo apresenta os percentuais da taxa do DI por faixa de IR:

 

PRAZOINVESTIMENTOS SEM INCIDÊNCIA DE IR% DO CDI
IndiferenteLCI/LCA/Debêntures incentivadas99%
PRAZOINVESTIMENTOS COM INCIDÊNCIA DE IR% DO CDI
Até 180 diasAlíquota de 22,50%128%
De 181 a 360 diasAlíquota de 22,00%124%
De 360 a 720 diasAlíquota de 17,50%120%
Acima de 720Alíquota de 15,00%117%

 

MINICURRÍCULO

 

José Roniel, graduado em Administração pela PUC-SP, especialista em Engenharia Financeira pela FIA e pós-graduando em finanças pelo INSPER. Possui mais de 8 oito anos de experiência no mercado financeiro. Atuou em renomadas gestoras de recursos, tais como: Quatá Investimentos, Mauá Capital e G5 Evercore, sendo sua última posição gerente da mesa de gestão da Quatá Investimentos. Em 2016, juntou-se a Anderson Brito e Tales Villas, também alunos da pós-graduação em Engenharia Financeira da FIA e fundaram uma gestora de recursos startup, a Ultimate Investimentos.

Contato: joseroniel@ultimateinvestimentos.com.br