Um caminho para a recuperação

Ideas bulb light in the hand

Após um longo período de tensão e expectativa sobre a situação política do país, a definição dada pelo senado no dia 31/8 abre espaço para uma discussão mais consistente sobre os rumos da economia brasileira. Independente do mérito do impeachment, essa definição reduz a incerteza sobre o direcionamento da política econômica, fiscal e monetária e pode auxiliar na projeção de melhoras substanciais para o próximo ano.

Apesar dos baixos níveis de emprego e renda e da inflação que demora a desacelerar, é possível visualizar agora um rumo a seguir. Com esse cenário mais previsível, já nos próximos  meses o ritmo de desaceleração da atividade econômica deve diminuir, e em 2017 a economia brasileira deve voltar a crescer. Essa retomada pode ainda ser tímida, já que há temores rondando a política, e os severos problemas fiscais devem requerer medidas duras. Porém, a percepção de risco por parte dos investidores externos caiu em relação a 2015.

Isso é evidenciado, por exemplo, pelo risco país, diferença entre os juros cobrados pelos investidores estrangeiros para comprar títulos brasileiros e os juros dos títulos americanos. Esse indicador caiu cerca de 20% em um ano (há um ano era de 370 pontos e hoje está em torno de 300 pontos), indicando que os investidores requeriam juros maiores para arriscar no país, e hoje aceitam receber juros menores. Isso mostra que eles veem no país um menor risco, e abre espaço para que invistam mais em empresas e projetos, gerando mais empregos e renda.

O Ibovespa, índice que mede a valorização das ações brasileiras, também aponta o otimismo em relação ao futuro. Há um ano o índice estava na casa dos 46 mil pontos e atualmente está em 60 mil pontos, um crescimento de quase 30%. Esse indicador ratifica que os investidores estão otimistas em relação ao futuro, já que a aposta nas ações das empresas ocorre de forma imediata, assim que a possibilidade de melhora aparece no horizonte. Porém, não mostra que o dinheiro esteja atingindo as empresas, já que a compra e venda de ações ocorre entre investidores.

O otimismo em relação ao futuro está maior, mas falta esse futuro chegar. O investimento precisa efetivamente chegar às empresas, para que elas contratem mais funcionários, invistam em novos projetos e gerem mais renda e consumo. Ao mesmo tempo falta ao consumidor a confiança no futuro, para que ele não tenha mais medo de perder o emprego, consumindo mais e gerando condições para que as empresas invistam e contratem mais.

Talvez as definições relacionadas à política fiscal possam ser o que falta para o país ingressar nessa rota, mas seguramente estamos mais próximos de encontrar o caminho para a recuperação.